4 de julho de 2016

MÚSICA CRISTÃ E A PÓS-MODERNIDADE

“Ninguém se engane a si mesmo: se alguém dentre vós se tem por sábio neste século, faça-se estulto para se tornar sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; porquanto está escrito: Ele apanha os sábios na própria astúcia deles. E outra vez: O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, que são pensamentos vãos” (I Co. 3.18-20).
Entender o conceito da pós-modernidade nos ajudará a pensar, a criar argumentos e convicções referentes a problemas atuais que devem ser explicados e combatidos. O pós-modernismo é um conceito (ou estilo) que ameaça a verdade do Cristianismo. Devemos evitar a busca desenfreada de vivermos em conformidade com os padrões que a sociedade impõe, pois isto, levará nossas igrejas a não enxergarem onde o mundo contemporâneo almeja nos levar e onde esta ameaça afeta a sã doutrina na igreja.
Vivemos em uma época que cada um tem sua forma de pensar, uma cosmovisão particular, influenciado pela cultura na qual cresceu, e isto, não acontece somente no âmbito secular, mas também, dentro da própria igreja local. A tendência será os novos cristãos trazerem seus pensamentos antes da sua conversão, ao mesmo tempo em que os cristãos que não conhecem a cosmovisão secular, não identificarão quando esta se infiltrar nas igrejas. O resultado disso será o distanciamento (ainda maior) da verdade absoluta, que só podemos encontrar através meio Cristo (Jo. 14.6), pois cada grupo buscará impor e influenciar sua própria verdade, baseada nos seus próprios interesses, para que se sintam bem e tenham seus desejos e preferências satisfeitos.
Afinal, o que é pós-modernidade? Para David Lyon, um escritor sociólogo, a pós- modernidade “se refere acima de tudo ao esgotamento da modernidade” que reflete nas mudanças sociais e culturais que observamos atualmente. Para o autor cristão Stanley Grenz, pós-modernidade é sinônimo de diversificação de opiniões, desvalorizando o conhecimento e a razão, para uma nova abordagem emocional e subjetiva, o que traz autonomia para a comunidade afirmar e definir a verdade. Já para o autor Octavio Ianni, escritor que tem como ênfase os aspectos socioeconômicos, pós-modernidade é, nada mais, nada menos do que globalização, no sentido econômico (comercial/industrial) que reflete de forma contraditória e desigual nos aspectos sociais, culturais e até políticos.
A nossa expressão artística é o reflexo da nossa formação cultural, ou seja, o que conhecemos e o que cremos sobre Deus, sobre a história e sobre o cosmos, norteará nossa forma de agir e pensar. Por que então continuar a ignorar as formas de pensamentos predominantes no mundo atual? Crer sem convicção com o tempo nos deixará confusos quando questionados e confrontados, a tendência sendo nos render às pressões.
A principal diferença entre as gerações, principalmente a partir da modernidade, está no conceito da verdade, essa mudança de como alcançamos o conhecimento e a verdade é o principal problema do Cristianismo hoje. Antes dessas mudanças, todos tinham os mesmos pressupostos e que eram do próprio Cristianismo, e basicamente se resumia na realidade de um absoluto, tanto no conhecimento, como na moral. Hoje se alguém fala sobre absolutos o indivíduo aculturado pela pós-modernidade atribui a um pensamento totalmente sem sentido. E como isto é inculcado às pessoas? Através das artes que influenciam e determinam o modo de pensar e agir da sociedade, que molda as pessoas a viverem sem propósitos, como se Deus não existisse ou como se a presença dele não fizesse diferença, nada é certo, nada é fixo, tudo é fluído.
Qual é a relevância de tudo isto? Com as tendências naturais que nos rodeiam e que atingem diretamente nossas igrejas, o que observamos são “feridas” (como o consumismo, individualismo, relativismo, pragmatismo, hedonismo, etc.) que estão sendo abertas a cada dia, e se não forem identificadas e tratadas, estas, irão destruir nosso propósito e motivo da nossa existência neste mundo.
A Igreja precisa instruir, encorajar e buscar capacitar os músicos cristãos para serem maduros e piedosos, para que estes, expressem sua música de forma que alcance a mente e o coração das pessoas. Nossa função não é transformar vidas, mas clamar ao Espírito Santo que as convencem e as transformem por meio da Palavra de Deus e pelo exemplo do nosso amor a Deus e ao próximo.

Bibliografia:

AMARAL, Wagner Lima. Apologética. Apostila da disciplina de Apologética do curso Bacharel em teologia do Seminário Batista Logos, São Paulo, 2011.
- GRENZ, Stanley J. Pós-Modernismo. São Paulo: Vida Nova, 1997.
- IANNI, Octavio. A sociedade global. 7. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999.
- LARAIA, Roque de Barros. Cultura um conceito antropológico. 14. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.
LYON, David. Pós-modernidade. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2011.
-MORLEY, Brian K. Entendendo nosso mundo pós-moderno. In: MACARTHUR, John. (Ed.) Pense Biblicamente. São Paulo: Hagnos, 2005. p. 199-228.
SCHAEFFER, Francis A. O Deus que intervém. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.