12 de maio de 2016

MÚSICA E A IGREJA LOCAL

A música na igreja é muito mais do que uma combinação entre sons e silêncio, ela não é um fim em si mesmo, mas sim, a resposta do que cremos, a consequência das nossas convicções. Deus nos deu o talento e a habilidade de usarmos a música com o propósito de exaltá-lo por meio da adoração, como uma forma de conhecê-lo melhor através da comunhão contínua e progressiva que teremos com Ele.
É importante desenvolver um ministério de música dentro da igreja. Encontramos várias passagens nas Escrituras nos chamando a cantar ao nosso Deus. A música contribui e é uma das ferramentas para louvarmos e adorarmos a Deus pelo o que Ele é (II Sm. 22.50; Sl. 33.2,3), para demonstrarmos nossa contrição (Sl. 51), para expressarmos nossa gratidão a Ele (Tg. 5.13), para nos lembrar e nos encorajar a confiar nele, para nos consolar com as provisões dele para as nossas vidas (Is. 12.2-5; Sl. 40.3), para instruir e aconselhar (Col. 3.16), entre outros objetivos e funções.
A música dentro da liturgia não é para ser executada de forma passiva, objetivando o simples fato da sua existência como suficiente e satisfatória, com função de formadora que gera outros músicos. Mas sim, devemos olhar para quem a executa (coro, “grupo de louvor”, grupo instrumental, regentes, etc.) como ministros, aqueles que desempenham a função ministerial para ajudar, liderar, servir e conduzir a adoração comunitária a Deus.
Em um mundo onde a tendência é a não rejeição e a tolerância é a maior das virtudes, está cada vez mais nítido nas igrejas o ceder às oportunidades de conformarmo-nos e misturarmo-nos com o sistema, permitindo desta forma que sejamos influenciados pelas filosofias seculares, em particular no ministério musical. Esta influência compromete nossa utilidade e nosso propósito. Cada vez mais observamos ministérios musicais direcionados pelo pragmatismo, pelo consumismo, pelo relativismo e pelo individualismo. Há pouca bibliografia cristã que trata da temática, poucos pastores e líderes que se preocupam em treinar e ensinar as verdades bíblicas nesta área específica, e qual o resultado disto? Músicos cada vez mais desinteressados e menos comprometidos com o que as Escrituras revelam sobre sua função dentro do Corpo de Cristo.
Cremos que o músico, assim como cada cristão deva ter discernimento para cumprir com o seu propósito. No Salmo 33.3-4, o salmista encoraja-nos a tocarmos nossos instrumentos musicais com habilidade e com alegria, nos alertando que devemos fazê-lo com a motivação correta, nos apoiando nas Escrituras e na compreensão de quem Deus é (“Entoai-lhe novo cântico, tangei com arte e com júbilo. Porque a palavra do Senhor é reta, e todo o seu proceder é fiel”).
 Deus criou todas as coisas, inclusive a música, portanto, a música não é meramente uma área técnica na igreja reservada somente para quem a conhece de forma teórica. Música, teologia, liturgia, pregação e comunidade, são conceitos entrelaçados entre si, não são interdependentes. Nós cristãos devemos nos conscientizar que o nosso modo pensar, o que cremos e conhecemos, molda nossas ações e atitudes e pode comprometer nossa adoração, portanto, devemos apoiar nossas convicções na teologia primeiramente e depois, se assim for possível e necessário, usar técnicas e metodologias seculares.