6 de outubro de 2016

O VALE SEM ÁGUA

“7 Hoje, se vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração,
8 como em Meribá, como aquele dia em Massá, no deserto,
9 onde os seus antepassados me tentaram, pondo-me à prova, apesar de terem visto o que eu fiz.
10 Durante quarenta anos fiquei irado contra aquela geração e disse: Eles são um povo de coração ingrato; não reconheceram os meus caminhos.
11 Por isso jurei na minha ira: Jamais entrarão no meu descanso.” -  Salmo 95. 7-11(NVI)

Este trecho me chamou a atenção hoje, quando fazia minha devocional. É claro o chamado de Deus à obediência nesses versículos, uma advertência foi dada. Deus lembra do pecado de Israel no deserto (Êx. 17.1-7) quando a falta de água, levou o povo a murmurar, a ser ingrato e colocá-lo à prova (“O Senhor está entre nós, ou não?” - Êx. 17.7 - NVI). Esse é um exemplo claro de falta de fé e reconhecimento de quem Deus é, e infelizmente essa é uma tendência humana, por isso precisamos constantemente sermos lembrados e advertidos. Quantas vezes duvidamos mesmo com todas as evidências mais que suficientes de que podemos confiar que Deus proverá em qualquer situação, mas assim como o povo de Israel, quando nos deparamos com um “vale sem água”, trocamos a confiança pela dúvida e somos privados com isso de desfrutar do descanso, da paz que só poderemos encontrar em Deus.

Com isso, as conclusões que chego é que a falta de confiança em Deus:

1) Gerará preocupação;
2) Alimentará a insatisfação, nos levando a inclinação de querer o que Deus não quer para nós;
3) Nos fará propensos a ouvir maus conselhos e suscetíveis a tomar decisões precipitadas;
4) Resultará em sofrimento e discórdia.

Em contrapartida, se não endurecermos o coração e reconhecermos Deus como suficiente em nossas vidas:

1) Cultivaremos a humildade, deixando de lado a ansiedade;
2) Desenvolveremos o contentamento e a gratidão;
3) Desfrutaremos de descanso e paz.


“Quando a ansiedade já me dominava no íntimo, o teu consolo trouxe alívio a minha alma”. Salmo 94.19 (NVI)

4 de julho de 2016

MÚSICA CRISTÃ E A PÓS-MODERNIDADE

“Ninguém se engane a si mesmo: se alguém dentre vós se tem por sábio neste século, faça-se estulto para se tornar sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; porquanto está escrito: Ele apanha os sábios na própria astúcia deles. E outra vez: O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, que são pensamentos vãos” (I Co. 3.18-20).
Entender o conceito da pós-modernidade nos ajudará a pensar, a criar argumentos e convicções referentes a problemas atuais que devem ser explicados e combatidos. O pós-modernismo é um conceito (ou estilo) que ameaça a verdade do Cristianismo. Devemos evitar a busca desenfreada de vivermos em conformidade com os padrões que a sociedade impõe, pois isto, levará nossas igrejas a não enxergarem onde o mundo contemporâneo almeja nos levar e onde esta ameaça afeta a sã doutrina na igreja.
Vivemos em uma época que cada um tem sua forma de pensar, uma cosmovisão particular, influenciado pela cultura na qual cresceu, e isto, não acontece somente no âmbito secular, mas também, dentro da própria igreja local. A tendência será os novos cristãos trazerem seus pensamentos antes da sua conversão, ao mesmo tempo em que os cristãos que não conhecem a cosmovisão secular, não identificarão quando esta se infiltrar nas igrejas. O resultado disso será o distanciamento (ainda maior) da verdade absoluta, que só podemos encontrar através meio Cristo (Jo. 14.6), pois cada grupo buscará impor e influenciar sua própria verdade, baseada nos seus próprios interesses, para que se sintam bem e tenham seus desejos e preferências satisfeitos.
Afinal, o que é pós-modernidade? Para David Lyon, um escritor sociólogo, a pós- modernidade “se refere acima de tudo ao esgotamento da modernidade” que reflete nas mudanças sociais e culturais que observamos atualmente. Para o autor cristão Stanley Grenz, pós-modernidade é sinônimo de diversificação de opiniões, desvalorizando o conhecimento e a razão, para uma nova abordagem emocional e subjetiva, o que traz autonomia para a comunidade afirmar e definir a verdade. Já para o autor Octavio Ianni, escritor que tem como ênfase os aspectos socioeconômicos, pós-modernidade é, nada mais, nada menos do que globalização, no sentido econômico (comercial/industrial) que reflete de forma contraditória e desigual nos aspectos sociais, culturais e até políticos.
A nossa expressão artística é o reflexo da nossa formação cultural, ou seja, o que conhecemos e o que cremos sobre Deus, sobre a história e sobre o cosmos, norteará nossa forma de agir e pensar. Por que então continuar a ignorar as formas de pensamentos predominantes no mundo atual? Crer sem convicção com o tempo nos deixará confusos quando questionados e confrontados, a tendência sendo nos render às pressões.
A principal diferença entre as gerações, principalmente a partir da modernidade, está no conceito da verdade, essa mudança de como alcançamos o conhecimento e a verdade é o principal problema do Cristianismo hoje. Antes dessas mudanças, todos tinham os mesmos pressupostos e que eram do próprio Cristianismo, e basicamente se resumia na realidade de um absoluto, tanto no conhecimento, como na moral. Hoje se alguém fala sobre absolutos o indivíduo aculturado pela pós-modernidade atribui a um pensamento totalmente sem sentido. E como isto é inculcado às pessoas? Através das artes que influenciam e determinam o modo de pensar e agir da sociedade, que molda as pessoas a viverem sem propósitos, como se Deus não existisse ou como se a presença dele não fizesse diferença, nada é certo, nada é fixo, tudo é fluído.
Qual é a relevância de tudo isto? Com as tendências naturais que nos rodeiam e que atingem diretamente nossas igrejas, o que observamos são “feridas” (como o consumismo, individualismo, relativismo, pragmatismo, hedonismo, etc.) que estão sendo abertas a cada dia, e se não forem identificadas e tratadas, estas, irão destruir nosso propósito e motivo da nossa existência neste mundo.
A Igreja precisa instruir, encorajar e buscar capacitar os músicos cristãos para serem maduros e piedosos, para que estes, expressem sua música de forma que alcance a mente e o coração das pessoas. Nossa função não é transformar vidas, mas clamar ao Espírito Santo que as convencem e as transformem por meio da Palavra de Deus e pelo exemplo do nosso amor a Deus e ao próximo.

Bibliografia:

AMARAL, Wagner Lima. Apologética. Apostila da disciplina de Apologética do curso Bacharel em teologia do Seminário Batista Logos, São Paulo, 2011.
- GRENZ, Stanley J. Pós-Modernismo. São Paulo: Vida Nova, 1997.
- IANNI, Octavio. A sociedade global. 7. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999.
- LARAIA, Roque de Barros. Cultura um conceito antropológico. 14. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.
LYON, David. Pós-modernidade. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2011.
-MORLEY, Brian K. Entendendo nosso mundo pós-moderno. In: MACARTHUR, John. (Ed.) Pense Biblicamente. São Paulo: Hagnos, 2005. p. 199-228.
SCHAEFFER, Francis A. O Deus que intervém. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.


1 de junho de 2016

O PRAGMATISMO E O MINISTÉRIO MUSICAL

Quem queremos agradar ou qual grupo queremos atrair? O que trará mais sucesso? O quanto isto proporcionará bons resultados, especialmente os numéricos? Estas frases que cada dia mais estão comuns em nossas comunidades é reflexo do pragmatismo. O importante não é a verdade, mas sim o que “dá certo”. O alvo é em validar e aprovar um método usado para atingir um determinado objetivo através da constatação dos resultados, geralmente numéricos, que podem ser alcançados.
             O uso do pragmatismo obscurece a direção e os ensinos da Palavra de Deus. Este conceito tem norteado e dominado os propósitos e objetivos, em particular o ministério musical, nas igrejas locais. O alvo é traçar estratégicas que alcancem o que se almeja, independente dos propósitos que Deus já traçou para sua Igreja.
            Quando o pragmatismo norteia o ministério musical das igrejas locais, o alvo é o bem estar próprio e o falso piedoso objetivo de alcançar os perdidos, ou os nãos salvos, isto reflete em “rixas” que geralmente encontra-se nos integrantes do grupo, gerando discussões infindáveis e praticamente impossíveis de serem concluídos sobre costumes, estilos e formas, então a solução geralmente encontrada é baseada em qual público que deverá ser atraído e o que trará mais resultados numéricos, ou seja, o que supre o “mercado”. O resultado são os membros das igrejas cada vez mais sem instrução e incapazes de discernir as verdades bíblicas, gerando uma ignorância quanto aos perigos ao seu redor. John MacArthur escreveu:

“O que é bom” é a verdade que se harmoniza com a Palavra de Deus. A palavra “bom” é kalos, que significa algo inerentemente bom. Não é apenas uma coisa de boa aparência, bonita ou amável. Esta palavra fala de algo bom em si mesmo – genuíno, verdadeiro, nobre, correto e bom. Em outras palavras o que é “bom” não se refere a entretenimento. Não se refere àquilo que recebe elogios do mundo. Não se refere àquilo que satisfaz a carne. Refere-se ao que é bom, verdadeiro, correto, autêntico, fidedigno – aquilo que se harmoniza com a infalível Palavra de Deus.

            Deus nos deu a música para exaltar sua dignidade, para conhecê-lo e para manter renovada a comunhão com ele, o objetivo é a adoração. E a adoração, consiste em aprender e conhecer sobre Deus gerando uma vida voltada para ele diariamente. A música não deve ser usada para atrair os perdidos como meio de evangelismo. Em Salmo 40.3 notamos que o que levou muitos a temer e confiar em Deus não foi ouvir o cântico, mas presenciar o livramento de Deus (“E me pôs nos lábios um novo cântico, um hino de louvor ao nosso Deus; muitos verão essas coisas, temerão e confiarão no Senhor”). Evangelismo é o resultado da adoração e não o fim em si mesmo, pois Deus nos deu sua Palavra e o seu Espírito para fazer a obra nos corações dos seus escolhidos. Nossa tarefa é manter essa mensagem pura e a proclamarmos fielmente, nosso alvo sempre dever ser glorificar a Deus, e isto, implica em fazermos tudo pensando nele e não em nós mesmos (I Co. 10.31).

12 de maio de 2016

MÚSICA E A IGREJA LOCAL

A música na igreja é muito mais do que uma combinação entre sons e silêncio, ela não é um fim em si mesmo, mas sim, a resposta do que cremos, a consequência das nossas convicções. Deus nos deu o talento e a habilidade de usarmos a música com o propósito de exaltá-lo por meio da adoração, como uma forma de conhecê-lo melhor através da comunhão contínua e progressiva que teremos com Ele.
É importante desenvolver um ministério de música dentro da igreja. Encontramos várias passagens nas Escrituras nos chamando a cantar ao nosso Deus. A música contribui e é uma das ferramentas para louvarmos e adorarmos a Deus pelo o que Ele é (II Sm. 22.50; Sl. 33.2,3), para demonstrarmos nossa contrição (Sl. 51), para expressarmos nossa gratidão a Ele (Tg. 5.13), para nos lembrar e nos encorajar a confiar nele, para nos consolar com as provisões dele para as nossas vidas (Is. 12.2-5; Sl. 40.3), para instruir e aconselhar (Col. 3.16), entre outros objetivos e funções.
A música dentro da liturgia não é para ser executada de forma passiva, objetivando o simples fato da sua existência como suficiente e satisfatória, com função de formadora que gera outros músicos. Mas sim, devemos olhar para quem a executa (coro, “grupo de louvor”, grupo instrumental, regentes, etc.) como ministros, aqueles que desempenham a função ministerial para ajudar, liderar, servir e conduzir a adoração comunitária a Deus.
Em um mundo onde a tendência é a não rejeição e a tolerância é a maior das virtudes, está cada vez mais nítido nas igrejas o ceder às oportunidades de conformarmo-nos e misturarmo-nos com o sistema, permitindo desta forma que sejamos influenciados pelas filosofias seculares, em particular no ministério musical. Esta influência compromete nossa utilidade e nosso propósito. Cada vez mais observamos ministérios musicais direcionados pelo pragmatismo, pelo consumismo, pelo relativismo e pelo individualismo. Há pouca bibliografia cristã que trata da temática, poucos pastores e líderes que se preocupam em treinar e ensinar as verdades bíblicas nesta área específica, e qual o resultado disto? Músicos cada vez mais desinteressados e menos comprometidos com o que as Escrituras revelam sobre sua função dentro do Corpo de Cristo.
Cremos que o músico, assim como cada cristão deva ter discernimento para cumprir com o seu propósito. No Salmo 33.3-4, o salmista encoraja-nos a tocarmos nossos instrumentos musicais com habilidade e com alegria, nos alertando que devemos fazê-lo com a motivação correta, nos apoiando nas Escrituras e na compreensão de quem Deus é (“Entoai-lhe novo cântico, tangei com arte e com júbilo. Porque a palavra do Senhor é reta, e todo o seu proceder é fiel”).
 Deus criou todas as coisas, inclusive a música, portanto, a música não é meramente uma área técnica na igreja reservada somente para quem a conhece de forma teórica. Música, teologia, liturgia, pregação e comunidade, são conceitos entrelaçados entre si, não são interdependentes. Nós cristãos devemos nos conscientizar que o nosso modo pensar, o que cremos e conhecemos, molda nossas ações e atitudes e pode comprometer nossa adoração, portanto, devemos apoiar nossas convicções na teologia primeiramente e depois, se assim for possível e necessário, usar técnicas e metodologias seculares.

3 de março de 2016

HUMILHAI-VOS

Nas últimas semanas, tenho refletido muito sobre humildade e dependência no Senhor. E hoje fazendo minha devocional, li um texto que foi de encontro ao meu coração. Em números 12, narra que Arão e Miriã criticaram Moisés por ter casado com uma etíope e ambos desejaram a liderança de Israel em igualdade com Moisés. Então, Deus respondeu a isso, confirmando o chamado de Moisés e disciplinando Miriã com lepra.
O que gostaria de ressaltar, foi a forma que Moisés reagiu, que demonstrou humildade, e que muito me desafiou e encorajou.

A pessoa humilde:

1) Nega a si mesmo, não se defende, não divide a culpa com o próximo, nem se justifica (Nm 12.3). Antes, reconhece suas fraquezas, fracassos e erros, chegando a um entendimento adequado de si;

2) Depende de Deus para lhe proteger, sustentar e defender (Nm 12.6-8);

3) Sempre estará pronta a amar e perdoar (Nm 12.13 – “Então Moisés clamou ao Senhor: Ó Deus, por misericórdia, concede-lhe a cura”);

3) Persevera em servir a Deus e ao próximo (Nm. 12.16 - Moisés continuou a liderar Israel pelo deserto, mesmo isso sendo um fardo em muitos momentos).

Que possamos buscar a humildade e ter prazer em depender de Deus, sempre servindo-o fielmente!


“Cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça. Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. (I Pe 5.5-7)

4 de janeiro de 2016

NÃO SEJA FORTE

SALMO 88
 (Cântico. Salmo dos filhos de Corá. Salmo didático de Hemã)

"Ó SENHOR, Deus da minha salvação, dia e noite clamo diante de ti.
Chegue à tua presença a minha oração, inclina os ouvidos ao meu clamor.
Pois a minha alma está farta de males, e a minha vida já se abeira da morte.
Sou contado com os que baixam à cova; sou como um homem sem força,
atirado entre os mortos; como os feridos de morte que jazem na sepultura, dos quais já não te lembras; são desamparados de tuas mãos.
Puseste-me na mais profunda cova, nos lugares tenebrosos, nos abismos.
Sobre mim pesa a tua ira; tu me abates com todas as tuas ondas.
Apartaste de mim os meus conhecidos e me fizeste objeto de abominação para com eles; estou preso e não vejo como sair.
Os meus olhos desfalecem de aflição; 
dia após dia, venho clamando a ti, SENHOR,
e te levanto as minhas mãos.
Mostrarás tu prodígios aos mortos ou os finados se levantarão para te louvar?
Será referida a tua bondade na sepultura? A tua fidelidade, nos abismos?
Acaso, nas trevas se manifestam as tuas maravilhas?
E a tua justiça, na terra do esquecimento?
Mas eu, SENHOR, clamo a ti por socorro,
e antemanhã já se antecipa diante de ti a minha oração.
Por que rejeitas, SENHOR, a minha alma e ocultas de mim o rosto?
Ando aflito e prestes a expirar desde moço;
sob o peso dos teus terrores, estou desorientado.
Por sobre mim passaram as tuas iras, os teus terrores deram cabo de mim.
Eles me rodeiam como água, de contínuo; a um tempo me circundam.
Para longe de mim afastaste amigo e companheiro; 
os meus conhecidos são trevas."

    Você já se sentiu como esse salmista? Desamparado por Deus, desesperado em seu íntimo, com a sensação de incapacidade, esperando por um alívio que nunca chega ou com a impressão que somente coisas ruins acontecem? Eu já me senti assim, e tenho aprendido lições preciosas com essas circunstâncias e com esses sentimentos. A questão em voga é: Como você interpreta essas circunstâncias e sentimentos e como reage a isso?
     Alguns trechos da Palavra de Deus parecem não confortar, não trazer um final feliz, não responder a questionamentos, não conter promessas, mas mesmo assim, quando devidamente analisados, nos dão esperança. Essas passagens nos ensinam a enxergar a realidade da vida. Temos a tendência de romantizar o cristianismo e querer fugir a qualquer custo do sofrimento ou situações desagradáveis/desfavoráveis, mas a realidade é que o crente pode sofrer e a vida muitas vezes nos fará chorar. E acreditem, é libertador reconhecer isso! E esse salmo nos lembra que podemos (e devemos) ser honestos e sinceros com Deus quando isso acontecer.
     Observamos claramente o lamento do salmista (Hemã) nesses versículos. Em meio ao seu sofrimento e angustia, ele não hesita em expressar sua preocupação diante de Deus e derramar seus questionamentos. Muitas vezes evitamos esse tipo de “sinceridade” para não cometer equívocos, como orar de forma irreverente; expressar preocupação excessiva que pode ser interpretado como falta de confiança em Deus; aparentar rebeldia por não aceitar Seu plano; entre outros motivos. Porém, Hemã em seu cântico, nos ensina outra perspectiva dessa “sinceridade”. Ele mostra que quando se apresentou dessa maneira, estava reconhecendo quem é o seu Deus (“Deus da minha salvação” v.1); demonstrando ter fé em meio ao seu desespero (“clamo de dia e de noite” v.1); mostrando que tinha um relacionamento genuíno com Deus (ele correu para Deus e não de Deus); entregando seu fardo; e reconhecendo sua dependência nEle (humildade).
     É fantástico e esperançoso saber quem era Hemã (I Cr. 6.31-33 - leia o artigo na íntegra – clique aqui). Um músico piedoso, que serviu no tabernáculo depois no templo preservando a unidade (I Cr. 6.33-48), demonstrando submissão as suas autoridades (Davi e Salomão - I Cr. 25.6), buscando a excelência do que realizava (I Cr. 15; II Cr. 5.12-14), multiplicando o seu talento e habilidade (I Cr. 25 4-6), deixando um grande exemplo do que significa servir a Deus com conhecimento e beleza (I Cr. 25.5).
     Esse exemplo me leva a pensar se justifica (quando passamos por esses momentos que nos deixam confusos, inseguros, descontentes, etc.) abandonarmos a fé, o serviço a Deus e a comunidade? Justifica negligenciarmos os dons, os talentos e os relacionamentos? Certamente não. Não foi assim que Hemã agiu.
     Não carregue um fardo que não te pertence. Você não erra necessariamente por sentir-se desesperado, desamparado ou descontente. Não desanime quando a sua mente estiver confusa ou quando você começar a questionar a bondade e o amor de Deus. Não se entregue, não desista, corra para Ele, se derrame diante dEle! Pois mesmo quando não vemos, não sentimos, não entendemos ou até mesmo quando não queremos, Deus está lá e com toda a certeza sempre nos escutará (mesmo quando não responder)! Deus está lá agindo em prol do seu propósito já estabelecido. Portanto, não seja forte, não endureça seu coração, antes seja sincero, dependa mais de Deus! E enquanto passamos por isso, faça valer a pena sua existência, frutifique nas mãos de Deus, assim como fez esse piedoso salmista.
  

"Quando o meu espírito desanima, és tu quem conhece o caminho que devo seguir... Clamo a ti, Senhor, e digo: Tu és o meu refúgio; és tudo o que tenho na terra dos viventes." Salmo 142.3,5 (NVI)