3 de fevereiro de 2015

POR QUE OS MÚSICOS CRISTÃOS ESTÃO CADA VEZ MAIS INDIVIDUALISTAS?

O mundo pós-moderno é individualista, e isto é perceptível quando notamos a valorização cada vez maior do indivíduo refletido em sua autonomia e seus “direitos”. Esse pensamento está intrínseco nos ministérios musicais, pois se nota cada vez mais músicos, presunçosos por causa de seu talento e habilidade ao invés de serem humildes, como servo uns dos outros. O músico busca sua independência, delimitando seu conhecimento bíblico como algo pessoal e particular gerando uma subjetividade da piedade, dificultando a submissão as suas autoridades eclesiásticas e rejeitando a confrontação bíblica

O músico quando se coloca como centro da música tocada nos cultos, desvirtua o propósito maior de adoração a Deus em comunidade, isto acontece quando há um conhecimento parcial da teologia e na ausência de crescimento espiritual (piedade).

As pessoas chamadas e reunidas para formar o Corpo de Cristo precisam conhecer o que acontece na atualidade e precisam mais do que em qualquer outra época entender o propósito de sua existência. A falta de compromisso dos músicos com a Igreja Local tem sido mais perceptível a cada dia, pois o conceito de Igreja tem sido mal definido e mal assimilado por muitos. Há um desvio tanto filosófico como teológico. Devemos rever nossas motivações e nossa identidade.

Afinal, o que é Igreja? Igreja é o povo de Deus por meio da obra redentora de Cristo (At. 20.28; I Co. 6.19; Ef. 5.25; Cl. 1.20; I Pe. 1.18; Ap. 1.5). Igreja é uma comunidade, uma koinonia, é o Cristianismo organizado, e suas características devem se refletir na unidade, da vida comum e da comunhão. É nela onde os verdadeiros adoradores de Deus se reúnem (Fl. 3.3); onde a verdade divina é protegida e proclamada (l Tm. 3.15; Tt. 2.1,15); é o canal que Deus instituiu para a evangelização do mundo (Mt. 28-18-20; Mc. 16.15; Tt. 2.11); a Igreja é o “lugar” para a edificação e crescimento espiritual (At. 20.32; Ef. 4.11-16; II Tm. 3.16,17; I Pe. 2.1,2; II Pe. 3.18; II Tm. 2.2).

A Igreja (palavra grega ekklesia) se aplica tanto à igreja universal (ou invisível), quanto à igreja local (ou visível). Entendemos por igreja universal a totalidade dos salvos por meio de Cristo unidos pelo batismo do Espírito Santo, formando um corpo onde Cristo que é a cabeça e a vida (Mt. 16.18; Jo. 10.16; Ef. 3.3-6; 5.25-27); a igreja local é a assembleia dos crentes, que também professam Cristo como Salvador e Senhor, mas se reúnem em um local determinado para a adoração, pregação e ensino das Escrituras, comunhão com outros cristãos, oração, celebração da ceia do Senhor e para buscar realizar a vontade de Deus, conforme as Escrituras (Mt. 18.17; At. 2.41-17; I Co. 1.2; 11.23; Ef. 4).

Atualmente há uma vasta discussão da real importância da Igreja Local na vida do cristão. Muito deste debate é a crítica à “religião” como algo pejorativo e até mesmo como um empecilho para um relacionamento saudável com Deus. Segundo o teólogo Wayne A. Mack:
[...] a igreja é o principal meio pelo qual Deus realiza o seu plano no mundo. Ela é um instrumento ordenado por ele para chamar para si próprio o perdido e o contexto no qual ele santifica os nascidos na sua família. Desse modo, Deus espera (e ordena) um compromisso, com a igreja, de todos aqueles que declaram conhecê-lo. [...] A maioria das epístolas foi escrita para igrejas locais e três outras, escritas para indivíduos (I e II Tm e Tt) discutirem como a igreja local deve funcionar. Finalmente, as maravilhas do Apocalipse foram expressamente direcionadas para sete igrejas na Ásia Menor e enviadas a elas pelo apóstolo João por ordem do Cristo ressurreto (Ap 1.4,11).

A indiferença contemporânea pela igreja e não compreender teologicamente o seu significado, propósito e função, levará os músicos a confusão em relação ao seu papel e a sua responsabilidade no Corpo local, pois a igreja, especificamente a igreja local, é absolutamente indispensável para o nosso crescimento espiritual e o cumprimento da vontade de Deus neste mundo.