8 de abril de 2015

"AO MESTRE COM CARINHO"


Não podemos evitar as despedidas e muitas vezes precisamos reconhecer que elas são necessárias e também fazem parte do plano de Deus para as nossas vidas, mas independente dos motivos, nunca é fácil passar por isso. E hoje irei falar sobre o Pr. Ken e me despedir como sua aluna do Seminário Batista Logos, devido sua aposentadoria.

O Pr. Ken lecionou muitas matérias para mim sobre música (tanto na área técnica que a envolve, como a parte teológica que encontramos nas Escrituras). E lembro que uma das primeiras matérias que me matriculei no seminário foi “Princípios Bíblicos de Música”. Essa matéria me marcou, porque quando comecei meus estudos, como quase todos os jovens, achava que já sabia muita coisa, que andava na direção certa e sabia o que precisava ser feito, especialmente na área ministerial (Quanta presunção!). Nunca mencionei isso para ninguém, mas lembro que ao término de uma das primeiras aulas dessa matéria, sai do seminário chorando, aos prantos, porque aquele dia descobri que não sabia nada ou quase nada do que a Bíblia diz sobre música e fiquei envergonhada por causa do meu orgulho, porque reconheci que a falta de conhecimento, estava me levando a tomar decisões que não agradavam a Deus nessa área. Então aquele dia, tomei uma decisão e fiz um propósito diante de Deus que iria buscar conhecê-lo mais, para adorá-lo melhor. E isso já faz quase 10 anos e graças a Deus terminei meus estudos no seminário.

Mas de todas as matérias que o Pr. Ken me ensinou, o que quero enfatizar mesmo hoje, não diz respeito ao que ele disse, mas o que ele me mostrou com a sua vida e o seu exemplo. São detalhes, mas que fazem muita diferença na vida de um aluno. Quando lembro do Pr. Ken a primeira palavra que vem à minha mente é: fidelidade. E como professor, ele foi fiel ao seu chamado, ele fez o que todo professor deveria fazer: Ele se preocupava com seus alunos, ele sempre me perguntava como estava, como ia o ministério e os projetos que me envolvia na igreja, me dava sugestões e me ajudava. Me incentivava a prosseguir, a continuar. Quantas vezes ele saiu de sua casa, deixou seus afazeres e foi até ao seminário só para dar aula para mim. Foi um professor que me acompanhou até o dia da minha formatura. Obrigada!

O Pr. Ken vivia de forma coerente com o que cria, porque independente de recursos, apoio, reconhecimento, resultados, ele fez até o fim o que acreditava que Deus queria que fizesse. Eu o admiro por isso e é um exemplo que quero seguir; servir focada em Deus, sem me preocupar com as circunstâncias externas, apenas buscar ser encontrada fiel quando Cristo voltar ou me chamar.

Pr. Ken, obrigada por investir tempo em mim, por todos os ensinamentos, pela amizade e pelo seu exemplo. Guardarei boas lembranças e sentirei saudades!




3 de fevereiro de 2015

POR QUE OS MÚSICOS CRISTÃOS ESTÃO CADA VEZ MAIS INDIVIDUALISTAS?

O mundo pós-moderno é individualista, e isto é perceptível quando notamos a valorização cada vez maior do indivíduo refletido em sua autonomia e seus “direitos”. Esse pensamento está intrínseco nos ministérios musicais, pois se nota cada vez mais músicos, presunçosos por causa de seu talento e habilidade ao invés de serem humildes, como servo uns dos outros. O músico busca sua independência, delimitando seu conhecimento bíblico como algo pessoal e particular gerando uma subjetividade da piedade, dificultando a submissão as suas autoridades eclesiásticas e rejeitando a confrontação bíblica

O músico quando se coloca como centro da música tocada nos cultos, desvirtua o propósito maior de adoração a Deus em comunidade, isto acontece quando há um conhecimento parcial da teologia e na ausência de crescimento espiritual (piedade).

As pessoas chamadas e reunidas para formar o Corpo de Cristo precisam conhecer o que acontece na atualidade e precisam mais do que em qualquer outra época entender o propósito de sua existência. A falta de compromisso dos músicos com a Igreja Local tem sido mais perceptível a cada dia, pois o conceito de Igreja tem sido mal definido e mal assimilado por muitos. Há um desvio tanto filosófico como teológico. Devemos rever nossas motivações e nossa identidade.

Afinal, o que é Igreja? Igreja é o povo de Deus por meio da obra redentora de Cristo (At. 20.28; I Co. 6.19; Ef. 5.25; Cl. 1.20; I Pe. 1.18; Ap. 1.5). Igreja é uma comunidade, uma koinonia, é o Cristianismo organizado, e suas características devem se refletir na unidade, da vida comum e da comunhão. É nela onde os verdadeiros adoradores de Deus se reúnem (Fl. 3.3); onde a verdade divina é protegida e proclamada (l Tm. 3.15; Tt. 2.1,15); é o canal que Deus instituiu para a evangelização do mundo (Mt. 28-18-20; Mc. 16.15; Tt. 2.11); a Igreja é o “lugar” para a edificação e crescimento espiritual (At. 20.32; Ef. 4.11-16; II Tm. 3.16,17; I Pe. 2.1,2; II Pe. 3.18; II Tm. 2.2).

A Igreja (palavra grega ekklesia) se aplica tanto à igreja universal (ou invisível), quanto à igreja local (ou visível). Entendemos por igreja universal a totalidade dos salvos por meio de Cristo unidos pelo batismo do Espírito Santo, formando um corpo onde Cristo que é a cabeça e a vida (Mt. 16.18; Jo. 10.16; Ef. 3.3-6; 5.25-27); a igreja local é a assembleia dos crentes, que também professam Cristo como Salvador e Senhor, mas se reúnem em um local determinado para a adoração, pregação e ensino das Escrituras, comunhão com outros cristãos, oração, celebração da ceia do Senhor e para buscar realizar a vontade de Deus, conforme as Escrituras (Mt. 18.17; At. 2.41-17; I Co. 1.2; 11.23; Ef. 4).

Atualmente há uma vasta discussão da real importância da Igreja Local na vida do cristão. Muito deste debate é a crítica à “religião” como algo pejorativo e até mesmo como um empecilho para um relacionamento saudável com Deus. Segundo o teólogo Wayne A. Mack:
[...] a igreja é o principal meio pelo qual Deus realiza o seu plano no mundo. Ela é um instrumento ordenado por ele para chamar para si próprio o perdido e o contexto no qual ele santifica os nascidos na sua família. Desse modo, Deus espera (e ordena) um compromisso, com a igreja, de todos aqueles que declaram conhecê-lo. [...] A maioria das epístolas foi escrita para igrejas locais e três outras, escritas para indivíduos (I e II Tm e Tt) discutirem como a igreja local deve funcionar. Finalmente, as maravilhas do Apocalipse foram expressamente direcionadas para sete igrejas na Ásia Menor e enviadas a elas pelo apóstolo João por ordem do Cristo ressurreto (Ap 1.4,11).

A indiferença contemporânea pela igreja e não compreender teologicamente o seu significado, propósito e função, levará os músicos a confusão em relação ao seu papel e a sua responsabilidade no Corpo local, pois a igreja, especificamente a igreja local, é absolutamente indispensável para o nosso crescimento espiritual e o cumprimento da vontade de Deus neste mundo.