10 de outubro de 2014

SALMO 81

O Salmo 81 foi composto por Asafe. Asafe era da tribo de Levi, filho de Berequias (I Cr. 6.39) e assim como já mencionado em artigos anteriores (clique aqui e clique aqui), juntamente com Hemã e Etã (ou Jedutum) fora designado pelo rei Davi como responsável pelos cânticos no culto. No hebraico, seu nome significa “coletor ou recolhedor”. Foi o principal cantor quando a Arca foi levada para Jerusalém e em várias festas folclóricas da época (I Cr. 15.17-19; 16.5.7, 37; II Cr. 35.15)
O ofício de músico também fora passado posteriormente para seus filhos, que são mencionados como coristas no templo (I Cr. 25.1; II Cr 20.14; 29,14; Ed. 2.41; 3.10; Ne. 6.44; 11.22).
O título do salmo “Os lagares” fora usado para referir-se a ocasiões especiais, neste caso específico, possivelmente faz referência à Páscoa ou à Festa dos Tabernáculos, que comemorava a peregrinação no deserto. O festival era introduzido pela chamada de um sacerdote que convocava a congregação a se juntar com suas vozes com o coro dos levitas e seus instrumentos.
O salmo começa com uma ordem de Deus baseada em Sua Palavra (v. 1-5 – preceito, lei, prescrição), a congregação estava reunida celebrando e todos a uma voz cantando. É interessante observar que a “ordem” de Deus não fora um empecilho para o povo deixar de “cantar com júbilo”. Ao obedecer a Deus, o louvaremos da forma que o agrada e a consequência será um coração cheio de alegria e gratidão, Colossenses 2.16 testifica esta verdade: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente com toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração”.
            O salmista continua trazendo a memória os atos de Deus na história, ele começa com a libertação dos israelitas do Egito, menciona o evento do Mar Vermelho e passa pela peregrinação do povo no deserto; sempre enfatizando o livramento do Senhor (v. 6), a resposta das orações que Ele proporciona (v.7), a demonstração de controle e soberania dos eventos acontecidos (“experimentei” v. 7) e até a bondade Dele demonstrada na sua exortação e disciplina (v.8). O comentarista bíblico Derek Kidner, conclui: “Estes versículos, dando pedaços dos atos e palavras de Deus no deserto, dão o âmago e a lição do treinamento ao qual submeteu Israel (e, por implicação, todas as gerações dos Seus seguidores): que devem escutar somente a Ele, curvar-se diante Dele somente, e depender exclusivamente Dele.”.
            O salmista termina com a exigência de Deus ao povo que deve obedecê-lo, alertando que a desobediência acarretará em disciplina e a obediência em vitória e abundância de bênçãos. O salmista lamenta a ingratidão de Israel, mas exprime que sempre haverá espaço para o arrependimento (v. 8b). O salmo termina enfatizando a graça de Deus, mostrando que mesmo quando não confiamos ou obedecemos a Deus como Ele exige, ainda assim, Deus está pronto para nos dar o melhor, mesmo que não mereçamos (“Os que aborrecem ao Senhor se lhe submeteriam, e isto duraria para sempre. Eu o sustentaria com o trigo mais fino e o saciaria com o mel que escorre da rocha.” v. 15-16).
            Neste salmo podemos observar que Deus procura ouvintes, aqueles que se esmeram em observar a Lei, e isto, sobrepõem a sermos cantores ou instrumentistas. Portanto, nosso dever é obedecer aos preceitos de Deus, sermos leais e fiéis a Ele e a nossa motivação ao fazê-lo, deve ser em quem Deus é: nosso Senhor e Redentor!

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Bibliografia:

CARSON, D. A. et al. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova, 2009. 

CHAMPLIN, Russell N. Enciclopédia de Bíblia, teologia e filosofia. São Paulo: Hagnos, 2002.

GARDNER, Paul. (Ed.). Quem é quem na Bíblia. São Paulo: Vida, 1999.

KIDNER, Derek. Salmos: Introdução e comentário. São Paulo: Mundo Cristão. 1987.

PFEIFFER, Charles F.; HARRISON, Everett F. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: EBR, 1988.

SELMAN, Martin J. 1 e 2 Crônicas, Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova, 2006.

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