7 de novembro de 2014

QUEM CANTA, SEUS MALES ESPANTA

Nestes últimos dias, tenho feito minha devocional no livro de Crônicas, e hoje pela manhã, li um texto que me chamou a atenção:

II Crônicas 20.18-22 (Contexto: Judá é invadida e o rei Josafá derrota Moabe e Amom):

18. Josafá prostrou-se, rosto em terra, e todo o povo de Judá e de Jerusalém prostrou-se em adoração perante o Senhor.
19. Então os levitas descendentes dos coatitas e dos coreítas levantaram-se e louvaram o Senhor, o Deus de Israel, em alta voz.
20. De madrugada partiram para o deserto de Tecoa. Quando estavam saindo, Josafá lhes disse: "Escutem-me, Judá e povo de Jerusalém! Tenham fé no Senhor, o seu Deus, e vocês serão sustentados; tenham fé nos profetas dele e vocês terão a vitória".
21. Depois de consultar o povo, Josafá nomeou alguns homens para cantarem ao Senhor e o louvarem pelo esplendor de sua santidade, indo à frente do exército, cantando: "Dêem graças ao Senhor, pois o seu amor dura para sempre".
22. Quando começaram a cantar e a entoar louvores, o Senhor preparou emboscadas contra os homens de Amom, de Moabe e dos montes de Seir que estavam invadindo Judá, e eles foram derrotados.

Meu coração foi confortado ao ler esses versículos e pude relembrar e aprender que:

1. O meu medo deve me levar a buscar ao Senhor (v.18);

2. Em tempos difíceis, minha adoração deve ser com entusiasmo, pois é mais importante depender de Deus do que ganhar uma batalha (v.19);

3. Ao deixar o desânimo e a ansiedade, substituindo por confiança no Senhor, me sentirei segura (v.20);

4. Devo me alegrar e ser grata quando a única coisa que posso fazer é louvar, pois “o Seu amor dura para sempre” (v.21);

5. Deus “luta” por nós e quando me tornar uma verdadeira adoradora, Ele me dará o livramento (v.22).


"Dêem graças ao Senhor, pois o seu amor dura para sempre".

10 de outubro de 2014

SALMO 81

O Salmo 81 foi composto por Asafe. Asafe era da tribo de Levi, filho de Berequias (I Cr. 6.39) e assim como já mencionado em artigos anteriores (clique aqui e clique aqui), juntamente com Hemã e Etã (ou Jedutum) fora designado pelo rei Davi como responsável pelos cânticos no culto. No hebraico, seu nome significa “coletor ou recolhedor”. Foi o principal cantor quando a Arca foi levada para Jerusalém e em várias festas folclóricas da época (I Cr. 15.17-19; 16.5.7, 37; II Cr. 35.15)
O ofício de músico também fora passado posteriormente para seus filhos, que são mencionados como coristas no templo (I Cr. 25.1; II Cr 20.14; 29,14; Ed. 2.41; 3.10; Ne. 6.44; 11.22).
O título do salmo “Os lagares” fora usado para referir-se a ocasiões especiais, neste caso específico, possivelmente faz referência à Páscoa ou à Festa dos Tabernáculos, que comemorava a peregrinação no deserto. O festival era introduzido pela chamada de um sacerdote que convocava a congregação a se juntar com suas vozes com o coro dos levitas e seus instrumentos.
O salmo começa com uma ordem de Deus baseada em Sua Palavra (v. 1-5 – preceito, lei, prescrição), a congregação estava reunida celebrando e todos a uma voz cantando. É interessante observar que a “ordem” de Deus não fora um empecilho para o povo deixar de “cantar com júbilo”. Ao obedecer a Deus, o louvaremos da forma que o agrada e a consequência será um coração cheio de alegria e gratidão, Colossenses 2.16 testifica esta verdade: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente com toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração”.
            O salmista continua trazendo a memória os atos de Deus na história, ele começa com a libertação dos israelitas do Egito, menciona o evento do Mar Vermelho e passa pela peregrinação do povo no deserto; sempre enfatizando o livramento do Senhor (v. 6), a resposta das orações que Ele proporciona (v.7), a demonstração de controle e soberania dos eventos acontecidos (“experimentei” v. 7) e até a bondade Dele demonstrada na sua exortação e disciplina (v.8). O comentarista bíblico Derek Kidner, conclui: “Estes versículos, dando pedaços dos atos e palavras de Deus no deserto, dão o âmago e a lição do treinamento ao qual submeteu Israel (e, por implicação, todas as gerações dos Seus seguidores): que devem escutar somente a Ele, curvar-se diante Dele somente, e depender exclusivamente Dele.”.
            O salmista termina com a exigência de Deus ao povo que deve obedecê-lo, alertando que a desobediência acarretará em disciplina e a obediência em vitória e abundância de bênçãos. O salmista lamenta a ingratidão de Israel, mas exprime que sempre haverá espaço para o arrependimento (v. 8b). O salmo termina enfatizando a graça de Deus, mostrando que mesmo quando não confiamos ou obedecemos a Deus como Ele exige, ainda assim, Deus está pronto para nos dar o melhor, mesmo que não mereçamos (“Os que aborrecem ao Senhor se lhe submeteriam, e isto duraria para sempre. Eu o sustentaria com o trigo mais fino e o saciaria com o mel que escorre da rocha.” v. 15-16).
            Neste salmo podemos observar que Deus procura ouvintes, aqueles que se esmeram em observar a Lei, e isto, sobrepõem a sermos cantores ou instrumentistas. Portanto, nosso dever é obedecer aos preceitos de Deus, sermos leais e fiéis a Ele e a nossa motivação ao fazê-lo, deve ser em quem Deus é: nosso Senhor e Redentor!

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Bibliografia:

CARSON, D. A. et al. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova, 2009. 

CHAMPLIN, Russell N. Enciclopédia de Bíblia, teologia e filosofia. São Paulo: Hagnos, 2002.

GARDNER, Paul. (Ed.). Quem é quem na Bíblia. São Paulo: Vida, 1999.

KIDNER, Derek. Salmos: Introdução e comentário. São Paulo: Mundo Cristão. 1987.

PFEIFFER, Charles F.; HARRISON, Everett F. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: EBR, 1988.

SELMAN, Martin J. 1 e 2 Crônicas, Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova, 2006.

28 de agosto de 2014

O RELATIVISMO E A MÚSICA

“Pode-se não ter certeza de nada, porém, de uma coisa o homem pós-moderno está convicto – o objetivo de não abrir espaço para os absolutos, sejam de Deus ou da própria razão humana – ciência. A ideia é a de cultivar as diferenças, de trabalhar com a incerteza.” Wagner Amaral

            Expressões como: “Não gostei ou gostei da música do culto hoje”; “A música me tocou, me fez sentir bem e leve”; “Prefiro ou me identifico mais com esta ou aquela música”; etc., são tão comuns, tão corriqueiros nos comentários feitos por membros das igrejas locais na atualidade. No fim, as preferências e gostos são a base do julgamento do que é bom e do que é certo dentro do ministério musical. Quando não se alcança estas conclusões baseado nestes critérios, o resultado em sua maioria é a crítica destrutiva, como: “Os músicos não tocam bem”; “A igreja tal é fria e sem visão”; etc. O relativismo incentiva a liberdade de expressão, que gera o questionamento e a insatisfação.
            No relativismo não há absolutos, tudo é subjetivo, que se traduz no sentimento, no prazer, que coloca o homem como centro e não a Deus. Isto é resultado do equivocado conceito que a música é uma arte de exprimir sentimentos. Mas afinal, onde surgiu esta ideia que a função da música é comover e portanto, isto a torna subjetiva ou relativa? Esta ideia surgiu do iluminismo e infelizmente, este conceito filosófico, não está só presente nos nossos dias, mas enraizado na mente e no coração de muitos músicos cristãos dentro das igrejas locais.
            O iluminismo foi um movimento filosófico social, explicado em parte, pela ascensão econômica da burguesia europeia no século XVIII. Suas principais características são a ênfase na experiência e na razão, pela desconfiança em relação às autoridades e à religião. O historiador Claude V. Palisca em seu livro História da Música Ocidental, explica:

[...] o movimento complexo conhecido pelo nome de iluminismo começou com uma revolta do espírito: uma revolta contra a religião sobrenatural e a Igreja, em prol da religião natural e da moral prática; contra a metafísica, em prol do senso comum, da psicologia empírica, da ciência aplicada e da sociologia; contra o formalismo, em prol da naturalidade; contra a autoridade, em prol da liberdade do indivíduo; contra os privilégios, em prol da igualdade de direitos e da instrução universal.

Na história da música, é no movimento iluminista que inicia a era Romântica nas artes. É também o surgimento do cosmopolitismo nas artes desencadeando na música como uma linguagem universal, ou seja, a música não deveria ser limitada pelas fronteiras nacionais, mas mesmo assim, deveria ser nobre, expressiva, despojada de complexidade técnicas e capaz de agradar qualquer indivíduo, independente do seu nível cultural.
Neste novo ideal de música, deveria ser por meio da imitação da natureza, ou seja, do sentimento. Este conceito é expresso por meio de um discurso sonoro que seria avaliado em função de como contribuiria ou não para o bem-estar do ser humano. É interessante observar que esta imposição ou renovação de função e conceito na área musical da época, não foi pela iniciativa de músicos, mas sim, de filósofos. Os primeiros filósofos da era das luzes ou iluminismo (essa era foi um movimento cultural da elite europeia do século XVIII que pregou contra o abuso do poder da Igreja e do Estado herdado da Idade Média, a fim de reformar a sociedade e o conceito do conhecimento), foram Locke e Hume, da Inglaterra, e Mostesquieu e Voltaire, na França, mas Rousseau, um importante filósofo, teórico político, escritor e compositor suíço que foi o principal pensador e o idealizador, desta "fase de luzes".
            “É preciso dizer que a vida não foi mais governada pelos filósofos no século XVIII do que em qualquer outro período da história; os sistemas de pensamento respondem e sofrem a influência, das condições de vida, pelo menos no mesmo grau em que influenciam essas mesmas condições.” Claude V. Palisca.
            A crescente difusão da filosofia sentimentalista e a centralização do homem foi a partir da ascensão da classe média da época. É curioso observar a sequência dos fatos, pois começou assim, com a valorização das pessoas comuns e com seus sentimentos comuns. Não havia mais uma obrigatoriedade de entender a estrutura musical, pois o objetivo era cativar e comover o ouvinte e não de causar perplexidade. A música destinava-se a amadores, e este público portanto, cada vez mais tinha autonomia para exigir música fácil de tocar e de entender.
            Estes filósofos então, começaram a criticar e a desmerecer os compositores que precederam a esta época, justamente por causa da complexidade de suas peças, e foi por causa destes fatos, que a ideia de substituir o antigo pelo novo se tornou sinônimo de progresso e isto, perdura até os dias atuais.
            A estética do século XVIII defendia a função da música, como aquela que devia exprimir sentimentos, valorizando o prazer do indivíduo para que assim, isto lhe fosse agradável e satisfatório.
            O relativismo coloca o homem como centro, em suas emoções, seus sentimentos e seu prazer, este ponto de vista está moldando e cada vez mais penetrando na mente dos cristãos. A verdade bíblica é objetiva, independente dos sentimentos, ela é absoluta apesar das experiências. Nosso alvo não deve ser a satisfação do eu, como base do contentamento e a motivação para a adoração, mas nosso alvo, independente do sistema deste mundo, é levar cativo todo pensamento à obediência de Cristo (II Co. 10.5).
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Bibliografia:

AMARAL, Wagner Lima. Apologética. Apostila da disciplina de Apologética do curso bacharel em teologia do Seminário Batista Regular de São Paulo, São Paulo, 2011.

PALISCA, Claude V.; GROUT, Donald J. História da música ocidental. São Paulo: Gradiva, 1997.

13 de março de 2014

MUDANÇA

"Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus... E também faço essa oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo, cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus." (Filipenses 1.6-11)

Todos nós temos necessidade de mudança, mas somos bombardeados por influências culturais que podem nos levar a olhar para caminhos alternativos de mudança além da Escritura. Essa falsa esperança de mudança que o mundo nos oferece, mostra que o deve ser mudado são as circunstâncias, conceito próprio ou uma confiança subjetiva em Cristo. Porém a verdadeira esperança para mudança nos leva a compreender que somos plenos em Cristo, temos uma nova história e um novo poder e somos libertos da escravidão do pecado por meio de Cristo.

Nossa tendência ao passar por dificuldades é sonhar com o que poderia ter sido, essas respostas que oferecemos a nós mesmos nos direcionam para lugares específicos. Esses sonhos revelam muitas vezes o nosso pecado (egoísmo, medo, orgulho, dúvida, desespero, etc.) e mostram que desejamos mais os nossos planos do que os planos do Senhor. Por isso, o “trabalho” de Deus é mudar o que queremos, pois, o seu amor chega a cada um de nós para mudar o objetivo da nossa vida. Deus nos impulsiona à frente quando nos submetemos a Ele, somos assim, encorajados porque a boa obra de Deus continuará em nossas vidas, mesmo quando não vemos. Podemos ter coragem e esperança em qualquer situação, porque Deus não desistirá até que Sua obra seja completa e totalmente realizada através de nós. 

Portanto, não desanime! Não pare de buscar e esperar por uma mudança genuína e permanente, pois, Aquele que prometeu que completará Sua obra em nós, também nos dará tudo que necessitamos para chegar lá (II Pe 1.3-11)!