30 de agosto de 2010

VIDA MISSIONÁRIA?

Hoje resolvi escrever sobre alguém que admiro muito, seu nome é Amy Carmichael. Ela foi missionária e autora de 35 livros publicados e pensamentos sobre missões e vida cristã. Nasceu em 1867 em Millisle, na Irlanda do Norte e faleceu em 1951 na Índia.

Amy foi desafiada a entregar sua vida à missões quando tinha 24 anos apenas. Essa missionária permaneceu 56 anos na Índia, e ficou ali até sua morte, sem voltar para sua terra natal. A princípio teria um trabalho somente com mulheres, juntamente com outros missionários. Mas logo, ela soube que muitas crianças, especialmente meninas, eram vendidas ao templo (muitas vezes porque os pais não tinham dinheiro para sustentá-las) para serem as "mulheres dos deuses", mas que na verdade esse título, era só um meio para encobrir a prostituição infantil que ali acontecia, iniciada pelos sacerdotes. Algumas dessas meninas chegavam ao templo ainda recém-nascidas e nunca mais saiam de lá. Foi onde Amy começou a fazer "resgates" das crianças que ali eram escravas, e levá-las para sua casa, mesmo sem o apoio e a ajuda de seus colegas missionários, que a criticaram muito e a desencorajaram. Amy enfrentou tudo isso por amor as crianças, com o intuito de evangelizá-las. Amy sofreu muitas perseguições, ameaças, foi acusada de sequestro. Não temos muitas informações de tudo o que ela passou, pois Amy, não quis escrever em sua biografia esses acontecimentos em detalhes, contudo, sabemos que ela não desanimou em sua missão.

Amy fundou um orfanato em Donahvur, em Tamil Nadu, no sul da Índia. A sua luta pela libertação das crianças, que a princípio era só com meninas, porém, posteriormente se estendeu a meninos também, chegou a abrigar centenas de crianças, formando uma aldeia, todas vítimas da prostituição religiosa. Essa corajosa missionária impactou e influenciou a vida religiosa e social do país. Por sua causa, a prostituição ritual de crianças, foi denunciada e proibida pelo governo do país. E depois da nova lei instituida pelas autoridades, todas as crianças mantidas nos templos foram libertadas.

Que vida! Que exemplo! Quanto amor por Deus essa missionária deveria ter! Ao ponto de enfrentar todos, por amor as pessoas perdidas. Ela não se deixou abalar pelas circunstâncias desfavoráveis a ela, nem os sofrimentos que tudo isso certamente lhe causava, mas antes, ela fixou no alvo e permaneceu firme até o fim!

Amy definia missões como: "A vida missionária é simplesmente uma forma de morrer."

Fico a pensar, como será a "forma" que morrerei? Você já pensou nisto?

Terminarei com um poema escrito por ela, vamos ler e refletir:

Não tens cicatrizes?
Nenhuma cicatriz, no pé, na mão, ou no lado?
Ouço-as saudando a brilhante estrela da manhã.
Não tens cicatrizes?
Não tens ferimentos?
Contudo, fui ferido pelos arqueiros.
Encostaram-me numa árvore, para morrer,
E rasgado por bestas vorazes, que me rodearam,
Desfaleci.
Não tens ferimentos?
Nenhum ferimento? Nenhuma cicatriz?
Sim, seja o servo como o seu senhor;
Os pés que me seguem são traspassados.
Contudo, os teus ainda estão íntegros.
Teria seguido até bem longe
Aquele que não tem ferimentos?
Nenhuma cicatriz?

Amy Carmichael

25 de agosto de 2010

VOCÊ SABIA?


Essa semana lendo um livro para fazer um teste de teologia no seminário, me deparei com algo que achei muito interessante. É muito comum ao falar da morte de Cristo, ouvirmos que Ele sofreu tremendamente antes de sua crucificação. Mas você sabia que seu maior sofrimento foi durante a crucificação? Você já leu ou ouviu sobre o que os "criminosos" crucificados passavam na cruz? Vou tentar ser sucinta ao descrever o que li, escreverei sobre as quatro dores de Cristo na cruz.

A primeira dor que Cristo sofreu na cruz, com certeza foi a dor física. "Um criminoso crucificado era essencialmente forçado a infligir sobre si mesmo uma morte bem lenta por sufocação. Quando os braços do criminoso eram estendidos e fixados por pregos na cruz, ele tinha de sustentar a maior parte do peso do corpo com os braços. A caixa torácica era forçada para cima e para fora, tornando difícil o ato de expirar a fim de inspirar o ar fresco. Mas quando a ânsia da vítima por oxigênio se tornava insuportável, ela tinha de pressionar a si mesma para cima com os pés, dando dessa forma um apoio mais natural para o peso do corpo, tirando dos braços parte do peso e permitindo que a caixa torácica se contraísse de modo mais normal. Ao forçar dessa forma o corpo para cima, o criminoso podia deter a sufocação, mas isso era extremamente doloroso, pois exigia que colocasse o peso do corpo sobre os pregos que prendiam os pés e que flexionasse os cotovelos e os pressionasse para cima sobre os pregos cravados nos pulsos. As costas do criminoso, rasgadas repetidas vezes por chicoteamento anterior à execução, era esfregada contra a cruz de madeira a cada respiração". Geralmente os homens crucificados ficavam vivos por muitos dias, mesmo com a agonia da sufocação, por isso, muitas vezes os soldados quebravam as pernas do criminoso, porque como não teriam onde apoiar mais para respirarem, eles morreriam mais rápido". Imaginem a dor que Cristo sofreu! No caso da crucificação de Cristo, por estar próximo a páscoa, as pessoas pediram para que quebrassem as pernas logo dos "criminosos", mas Cristo já estava morto, então foi desnecessário isso.

A segunda dor, foi a "dor psicológica" que Ele sofreu ao carregar a culpa dos nossos pecados. Reparem que quando pecamos, não ficamos com uma angústia e um amargo sentimento? Quanto mais próximos estamos de Deus, mais repugnância sentimos quando nos deparamos com o pecado. Agora imaginem Cristo, que era puro, santo, perfeito, sem mácula, sem pecado, a tortura que ele não deve ter passado ao carregar todo o nosso pecado naquela cruz.

E isso nos leva para a terceira dor, a dor do abandono, porque Cristo passou por isso tudo sozinho. Todos em sua volta o abandonaram, inclusive o próprio Deus! Cristo foi separado totalmente naquele momento da comunhão com o Pai, o relacionamento que mais lhe dava alegria, e a única força interior que Ele poderia ter nesse momento de repleta tristeza. E o mais admirável é que Ele sofreu tudo isso sem reclamar, sofreu tudo isso até o fim. E por último, Cristo sofreu a dor de suportar a ira de Deus sobre Ele por causa dos nossos pecados, o meu e o seu. "Sacrifício que sofre a ira de Deus até o fim e, dessa maneira, transforma a ira de Deus contra nós em favor." Rm. 3.25.

Depois de ler todas essas coisas, fiquei impressionada em pensar o que o amor de Deus por nós foi capaz de suportar. Jamais poderei retribuir o que Cristo fez por mim, nunca farei algo que pagará o que Ele passou por mim. Mas gostaria sim, de entregar minha vida, minha devoção, minha fidelidade, como um gesto de gratidão pelo seu imensurável amor por mim!

*resumido e adaptado do livro: Teologia sistemática, Wayne Grudem, capítulo 27.

16 de agosto de 2010

PROJETO

Eu reconheço
Que não fui projetada
Para valorizar pensamentos humanos da autonomia
Para alimentar a autossuficiência, a autossoberania.

Eu reconheço
Que não fui projetada
Para pensar o tempo todo, que não parece justo, nem honesto
Para esquecer que Seu caminho é seguro e correto.

Eu reconheço
Que não fui projetada
Para ignorar a evidência que irei morrer
Para caminhar de modo que mesmo longe de Ti posso viver.

Eu reconheço
Que não fui projetada
Para compor a minha própria história
Para viver visando uma boa e fútil memória.

Eu reconheço
Que não fui projetada
Para ansiar por liberdade
Para adorar minha vontade.

Eu reconheço
Que não fui projetada
Para buscar status, posição e manter uma aparência
Para esquecer que o importante é conhecer Sua essência.

Eu reconheço
Que não fui projetada
Para ser amarga em minha avaliação
Para me iludir que posso sem Ti obter a correção.

Eu reconheço
Que não fui projetada
Para amar coisas, pessoas e lugar
Para ter em meu coração aquilo que não deve ser o meu motivar.

Eu reconheço
Que fui projetada
Para estar com Você.
Para buscar refúgio em Você.
Para depender de Você.
Para falar com Você.
Para colocar tudo embaixo de Você.

Simplesmente fui projetada
Para reconhecer
Que minha vida é Você.


Viviam Paizam

5 de agosto de 2010

SABEDORIA, QUEM A ACHARÁ?

A "sabedoria" era muito discutida no antigo Oriente Médio. Nesse período, eles consideravam que os deuses tinham o poder da sabedoria. Países como Egito, Mesopotâmia, Edom e Fenícia, tiveram homens sábios que davam conselhos visando uma boa qualidade de vida para seus povos. Sócrates, Confúcio e Buda, também são considerados como exemplos de sábios. A sabedoria dos gregos, por exemplo, concentrava-se no intelecto e no conhecimento perfeito, se a pessoa tivesse isso, viveria bem, pois era uma virtude, uma honra ter o conhecimento. Já a sabedoria hebraica é bem diferente em sua essência dos outros povos e nações, mesmo tendo sua forma literária semelhante à de outras culturas, não é baseada em teorias ou especulações. É algo aplicável no dia a dia, baseado nos princípios revelados nas Escrituras, entre o certo e o errado. Essa sabedoria revela o ensino da pessoa de Deus, e os hebreus esperavam que uma vez adquirida, a pessoa pudesse aplicar ao seu cotidiano. Essa sabedoria não era baseada na vontade, preferência, gosto ou estilo humano, mas sim, no padrão divino.

Mas de todos os povos e sábios, Salomão é sem dúvida o maior deles, conhecido, reconhecido e seguido por muitos e em muitos tempos. Salomão significa "homem de paz" ou "pacífico". Esse nome aparece trezentas vezes no Antigo Testamento e doze vezes no Novo Testamento, sempre associado ao assunto de sabedoria ou riquezas. As Escrituras nos mostra o exemplo de Salomão que quase demonstrou impressionantemente sua sabedoria, senão fosse sua queda já em sua velhice. Tudo isso devido as más escolhas que fez, e como consequência o tornou um homem insensato em seus últimos anos de vida. No livro de Eclesiastes nos mostra que Salomão passou por tempos amargos, de desilusão, frustração, desespero, pessimismo. Sua vida demonstrou mais um alerta para as pessoas do que como um exemplo a ser seguido de espiritualidade e moralidade.

Podemos tirar muitas lições desse exemplo, pois percebemos claramente que a pessoa sábia, não é aquela que muito se esmerou em conhecimentos e estudos, e sim, aquela que não se deixa vencer pelas tentações que certamente aparecerão pelo caminho. A verdadeira sabedoria é aquela que recebemos de Deus mediante a nossa comunhão contínua e progressiva nele, como lemos em Jeremias 9.23,24: "Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte na sua força, nem o rico nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor, e faço misericórida, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor."

Podemos adquirir sabedoria mediante o conhecimento, pela experiência de vida, mas, o principal meio e que definirá nossa maneira sábia de proceder, é mediante a vida espiritual que teremos. É a obra de Deus em nós em nos moldar a imagem de Cristo em nossas vidas que nos tornará pessoas sábias.

A suma de uma vida bem sucedida aos olhos de Deus encontramos em Eclesiastes 12.12-14. É claro observarmos e concluirmos que a busca por conhecimento por mera satisfação pessoal e intelectual leva a exaustão, sem nenhum proveito maior. Somente quando tememos a Deus e buscamos conhecê-lo, guardando seus mandamentos, é que podemos caminhar de acordo com a moral, intelectual e espiritualidade que Deus quer de nós. Devemos procurar viver tão sabiamente nesse mundo sabendo que no final, no Tribunal de Cristo, iremos identificar sábios idênticos e pessoas que careceram de sabedoria.

Deus é o princípio de toda sabedoria (Jó 28.28). Devemos ouvir a sabedoria de Deus atentamente (Pv. 2.2), pois só encontraremos a felicidade verdadeira, quando não nos apoiarmos nas nossas realizações ou quando não nos empenharmos tanto em suprir o que desejamos e achamos que é o melhor para nós, mas sim, quando encontrarmos a verdadeira sabedoria (Pv. 3.13), mas isso acontecerá, só quando buscarmos a Deus e formos sinceros em nossa adoração a Ele (Pv. 2.4-5). Lembrando, que Deus mesmo é quem nos dá a sabedoria quando a pedimos (Tg 1.5). "Deus é tudo o que precisamos, podemos até ter amigos para segurar nossa mão no leito de morte, mas só Deus é quem pode nos dar a verdadeira vida, podemos até ter conselheiros que nos confortarão em meio a adversidades, mas só Deus pode acalmar as tempestades de nossas vidas, até os filósofos podem discutir e se esmerar em nos dar o significado da vida, mas somente Deus pode dar o sentido da vida".

Busquemos pois, a verdadeira sabedoria, a sabedoria de Deus, e gozemos as recompensas que encontraremos nela!